Entre o garimpo e decisões: Como a Juazeirense filtra talentos para peitar gigantes em 2026
Por Sara Santos
Com
folha salarial modesta e estratégia baseada em observação direta, a
Juazeirense sai do norte do estado e chega à semifinal do Baianão
desafiando o abismo financeiro contra o Bahia, na Casa de Apostas Arena
Fonte Nova.
No
futebol moderno, onde algoritmos e análise de dados dominam os grandes
clubes, a Juazeirense aposta em um método mais tradicional, porém
rigoroso: o filtro humano. Prestes a enfrentar o Bahia neste sábado
(28), pela semifinal do Campeonato Baiano de 2026, o Cancão de Fogo
tenta mais uma vez provar que a gestão "pé no chão" e o olho certeiro
para atletas subestimados podem equilibrar o jogo contra orçamentos
milionários.

O
processo de montagem do elenco para este ano passou diretamente pelas
mãos de Sérgio Fernandes, que, apesar de vivenciar o Juazeirense desde a
fundação do clube em 2006, teve uma passagem por duas temporadas no
Sousa-PB, onde foi bi-campeão do campeonato paraibano (2024-2025), mas
retornou para o futebol baiano na metade de 2025.
Em
um mercado inflacionado por intermediários, em entrevista ao Bahia
Notícias, Fernandes foi enfático sobre o maior desafio de um diretor no
interior. “Pro empresário, todo jogador é bom. Eu nunca vi empresário
dizer que jogador é ruim, todos resolvem e valem milhões. Eu recebo mais
de 30 ligações todos os dias. Todo vídeo que manda, o jogador é bom,
porque só mostra os melhores momentos. O que importa são os números”,
revela o dirigente.
ANDERSON PATO
Sérgio ainda explicou que, quando voltou para o Juazeirense, 13
jogadores já estavam contratados, mas, sob sua gestão, novos jogadores,
entre eles o maior símbolo do sucesso dessa filtragem em 2026, Anderson
Pato. O atacante, que hoje desperta o interesse de clubes das Séries A e
B do Brasileirão, chegou ao Cancão sob desconfiança, apesar de bem
recomendado pelo analista de desempenho do Bahia, Rodrigo Nunes, e um
contrato de produtividade.

Anderson Pato
Antes
de percorrer os mais de 500 km que separam Salvador e Juazeiro, Pato
jogou dois jogos-treino no Esquadrão e foi muito elogiado pelo técnico
Rogério Ceni. Fernandes ainda detalha que Pato foi contratado com um
salário base de R$ 2 mil, com um gatilho que elevaria os vencimentos
para R$ 4 mil caso se tornasse titular. O atleta, que não fez base e foi
formado no futebol intermunicipal, superou as expectativas em apenas 15
dias de treino.
Atualmente,
o atacante tem uma proposta quase certa para defender as cores
rubro-negras do Vitória. Ao Bahia Notícias, Fernandes confidenciou que
clubes seguem sondando Pato e que a decisão definitiva só deve ser
tomada ao final do Campeonato Baiano 2026
BAIANÃO 2026
A caminhada da Juazeirense até o G4 não foi linear. O clube enfrentou
instabilidade no início da competição, o que exigiu decisões rápidas da
diretoria comandada pelo deputado estadual Roberto Carlos. A solução
para apagar o incêndio foi contratar alguém que, segundo o diretor,
conhecia a equipe, o técnico Zé Carijé.
“A
imprensa muitas vezes acha que tem que trazer um nome novo, um cara de
fora, mas a gente entende quem conhece a estrutura”, explica Sérgio. A
aposta no "porto seguro" surtiu efeito, com o time reagindo na reta
final após vitórias cruciais contra o Atlético de Alagoinhas e o Porto
Seguro.
PREPARATIVOS
Para o embate deste sábado na Arena Fonte Nova, a Juazeirense adota uma
estratégia de concentração total. O elenco desembarcou em Salvador com
antecedência para minimizar o desgaste da viagem e realizou treinos
matinais nesta sexta-feira (27), no Barradão.
Diferente
de outros clubes que sofrem com atrasos, a diretoria utiliza a saúde
financeira como combustível psicológico. Com salários e premiações em
dia, a pressão foi transferida para os atletas dentro de campo. “Jogamos
a responsabilidade para eles. A estrutura está dada, agora o resultado
depende de quem pode mudar o jogo”, afirma Fernandes.
Mesmo
sem o privilégio de jogar em casa, graças às mudanças implementadas
pela Federação Baiana de Futebol (FBF) onde as semifinais serão
decididas em jogos únicos e casa de quem fez a melhor campanha, o Cancão
de Fogo entra em campo tentando consolidar sua posição como a "terceira
força" do estado, desafiando a hegemonia da capital com o suor de quem
sobrevive do garimpo.
Apesar de eliminado na segunda fase da Copa do Brasil, além da semifinal do Baianão, o Juazeirense disputa a Copa do Nordeste e a Série D do Campeonato Brasileiro.


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