Botafogo tem uma semana para corrigir pontaria do ataque e carimbar vaga na Libertadores
Clube cresce no segundo tempo e arranca empate, com gol de Matheus Martins, diante do Barcelona de Guayaquil
Por Bárbara Mendonça — Rio de Janeiro
O Botafogo está a uma vitória de carimbar a participação na fase de grupos da Libertadores de 2026. Abrindo a terceira fase fora de casa, o time carioca empatou por 1 a 1 com o Barcelona de Guayaquil; Matheus Martins fez o gol que evitou a derrota. Após um início de chances desperdiçadas, o time cresceu no segundo tempo e deixa o Equador com certa segurança para a volta. Agora, o clube tem uma semana para corrigir seu principal problema: a falta de pontaria.
Após o uso dos reservas contra o Boavista, na Taça Rio, Anselmi retomou a base de suas escalações e repetiu o time que venceu o Nacional Potosí por 2 a 0. O Botafogo foi a campo com Léo Linck; Ponte, Bastos e Barboza; Vitinho, Newton, Danilo e Alex Telles; Barrera, Montoro e Matheus Martins.
O time precisou de pouco tempo para criar sua primeira grande chance, com troca de passes rápidos que terminou com a defesa do Barcelona travando passe de Telles para Montoro. Mas em meio a um crescimento equatoriano no jogo, um problema mais atrás ficou explícito.
Transparecendo um nervosismo evidente, Léo Linck recorreu a chutões em profusão na saída de bola — mesmo sem o time carioca sofrer com uma pressão do Barcelona que justificasse tal atitude. Era o Botafogo quem dava as cartas e ditava o ritmo, não os equatorianos.
Um dos lançamentos de Léo Linck, que buscava Telles, foi interceptado. A partir daí, o Barcelona foi rápido para chegar com Héctor Villalba na área enquanto Barboza falhou na marcação. O atacante cabeceou no travessão e ainda conseguiu aproveitar o rebote, fazendo 1 a 0 no Monumental.
O Botafogo repetiu um problema antigo e voltou a pecar nas chances que criou, responsabilidade que recai sobre os jogadores. Houve ao menos três chances importantes — com Montoro, Matheus Martins e Danilo — para que o time igualasse o placar ainda no primeiro tempo, sem sucesso.
A volta para o segundo tempo coincidiu com o crescimento do Botafogo. Ainda que com o mesmo esqueleto do time em campo, sem substituições, os comandados de Martín Anselmi passaram a encontrar mais espaços na defesa do Barcelona de Guayaquil. Além disso, o time passou a sobrar pelo meio, com ótimo desempenho em duelos.
Há alguns nomes dignos de nota. Vitinho é talvez o grande rosto da passagem de Martín Anselmi até aqui, cada vez mais completo no ataque. Bastos fez uma segunda etapa de almanaque, passando uma segurança que só cresce à medida que retoma ritmo de jogo. Danilo é o principal fator de desequilíbrio.
E ainda há Matheus Martins. É comum ver torcedores na bronca com o atacante, que virou centroavante com Anselmi, pelo número de erros em tomadas de decisão. A mobilidade, no entanto, é um trunfo em favor do camisa 11, que por vezes acha formas de iniciar as próprias chances desperdiçadas.
O problema maior de Matheus Martins parece ser a pontaria, algo que não lhe é exclusivo dentro do grupo do Botafogo. Mesmo assim, há margem para crescimento e evolução. No fim das contas, foi dele o gol de empate no Equador: Vitinho iniciou a jogada pela direita, Barrera se redimiu com uma assistência e Matheus furou as redes de Contreras.
O número de finalizações foi parelho, com 12 do Barcelona e 11 do Botafogo. Mas o clube carioca teve o dobro de grandes chances: 2 dos equatorianos, 4 do Botafogo. Por mais que Martín Anselmi tenha evitado falar em tranquilidade para a volta, a segurança alvinegra ao fim do jogo no Equador pode ser um bom prenúncio da partida na próxima terça.
Antes da partida decisiva por uma vaga na fase de grupos da Libertadores, o Botafogo volta a campo no sábado. O clube enfrenta o Bangu, em jogo único, pela final da Taça Rio - torneio de consolação com os clubes eliminados nas quartas de final do Carioca. A partida será às 18h (horário de Brasília), no Nilton Santos.

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