Como nova regra de estrangeiros vai impactar o futebol brasileiro? Veja número por time na Série A
Limitação de estrangeiros pulou de três, em 2013, para nove nesta
temporada
Por Gabriel Duarte* — Belo Horizonte
A partir de 2027, o limite de atletas estrangeiros em clubes das Séries A e B, a constarem em súmula em jogos do Brasileiro, será diminuído. Atualmente, são 160 atletas considerados estrangeiros - distribuídos em 27 países - na elite nacional: média de oito por clube. Do total, 25% não nasceram no Brasil.
Atualmente, um
clube listar em súmula até nove jogadores estrangeiros por partida pelo
regulamento. A proposta aprovada pelos clubes prevê iniciar a redução com
oito estrangeiros, em 2027, e chegar ao limite de cinco, em 2030.
Assim, a atual
média se encaixaria dentro da nova realidade a partir do próximo ano. Dentro do
elenco, cada clube pode ter quantos estrangeiros desejar, mas só pode listar em
súmula a quantidade permitida pelo regulamento.
O levantamento
contou com a ajuda de Gato Mestre.
Estrangeiros em cada clube:
·
Athletico-PR (11
estrangeiros): Carlos Terán, Tabares, Vargas, Alejandro García, Portilla, Viveros,
Jorge Rivaldo e Mendoza (Colômbia), Lucas Esquivel, Benavidez e Zapelli
(Argentina)
·
Atlético-MG (9
estrangeiros): Alan Franco, Alan Minda e Preciado (Equador); Borbas, Tomás Pérez e
Cuello (Argentina); Cassierra e Kevin Castaño (Colômbia) e Mamady Cissé (Guiné)
· Bahia (9
estrangeiros): Alejo Véliz, Guido Herrera, Lautaro López, Sanabria, Agustín Gómez e
Ramos Mingo (Argentina); Marco Moreno (Espanha); Michel Araújo e Acevedo
(Uruguai)
·
Bragantino (8
estrangeiros): Herrera (Argentina); Mosquera e Weimar Palacios (Colômbia), Sosa
(Uruguai); Sant'Anna, Guzmán Rodríguez (Uruguai), Isidro Pitta (Paraguai),
Hurtado (Equador)
·
Chapecoense (5
estrangeiros): Borrero (Colômbia), Miguel Carvalho (Espanha); Franco Rossi (Uruguai);
Bolasie (RD Congo) e Kevin Ramírez (Uruguai)
·
Corinthians (7
estrangeiros): Labyad (Marrocos); Garro e Angileri (Argentina); Milans (Uruguai);
Carrillo (Peru); Lingard (Inglaterra); Memphis (Holanda)
·
Coritiba (7
estrangeiros): Nico Fonseca, Ocampo e Lavega
(Uruguai); Bustos (Argentina); Sebastián Gómez e Ararat (Colômbia) e Josué
(Portugal)
·
Cruzeiro: (9
estrangeiros): Viña e Lucho Rodríguez (Uruguai); Villalba, Romero, Rojas (Argentina);
Sinisterra e Neyser Villarreal (Colômbia); Arroyo (Equador) e Peralta
(Paraguai)
·
Botafogo (12
estrangeiros): Mateo Ponte, Lucas Monzón Lucas Villalba( Uruguai); Ferraresi
(Venezuela); Medina, Montoro (Argentina); Domingos Andrade (Angola); Jhoan
Hernández e Jordan Barrera (Colômbia); Loor (Equador); Ziyech (Marrocos) e
Kadir (Panamá)
·
Flamengo (10 estrangeiros): Rossi e
Freitas (Argentina); Arrascaeta, De la Cruz, Varela (Uruguai); Pulgar (Chile),
Saúl (Espanha); Carrascal (Colômbia), Plata e Valencia (Equador)
·
Fluminense (9
estrangeiros): Acosta, Cano, Castillo e Freytes (Argentina); Millán, Serna (Colômbia);
Canobbio (Uruguai); Savarino e Soteldo (Venezuela)
·
Grêmio (10 estrangeiros): Krovinovic
(Croácia), Enamorado (Colômbia), Nardoni e Pavón (Argentina), Jovane Cabral
(Cabo Verde), Noriega (Peru), Amuzu (Bélgica); Balbuena e Villasanti
(Paraguai); Braithwaite (Dinamarca)
·
Internacional (10
estrangeiros): Rochet (Uruguai) Maripán (Chile); Félix Torres (Equador); Gabriel
Mercado, Bernabei, Aguirre, Villagra (Argentina); Benjamin (Gana), Carbonero
(Colômbia) e Sanabria (Paraguai); Eliasson (Suécia)
·
Palmeiras (8 estrangeiros): Barboza, Emiliano
Martínez, e Piquerez (Uruguai); Flaco López e Giay (Argentina); Gustavo Gómez e
Sosa (Paraguai); Jhon Arias (Colômbia)
·
Santos (6 estrangeiros): Caballero
(Paraguai); Barreal, Escobar e Rollheiser (Argentina); Oliva (Uruguai);
Miguelito (Bolívia)
·
São Paulo (7 estrangeiros): Duarte e
Cedric (Portugal); Arboleda (Equador); Calleri e Enzo Diaz (Argentina), Buta
(Angola), Bobadilla (Paraguai)
·
Vitória (6 estrangeiros): Brítez,
Pochettino, Martínez, Tarzia (Argentina); Ismael (Portugal); Laquintana
(Uruguai)
·
Vasco (11
estrangeiros): Puma Rodríguez e Saldívia (Uruguai); Andrés Gómez, Rojas, Hinestroza e
Carlos Cuesta (Colômbia); Colídio, Lescano, Sosa e Spinelli (Uruguai); Nuno
Moreira (Portugal)
·
Remo (6
estrangeiros): Andrés González (Colômbia); Tchamba (Senegal);
Catarozzi e Tassano (Uruguai) Picco (Argentina) e Galeano (Paraguai)
·
Argentina tem mais representantes
A América do Sul
domina entre os países com mais representantes. A Argentina lidera com 48 atletas.
O Uruguai vem depois com 32. O Top-5 é completado por: Colômbia (27), Paraguai
(13) e Equador (10).
Outros 21 países
também são representados, entre os localizados na América do Sul, Europa e
África: Portugal (7); Espanha, Itália e Venezuela (três, cada um); Peru, Chile,
Angola, Gana e Marrocos (dois cada um). com um estão Bolívia, Cabo Verde,
Guiné, Croácia, Panamá, Dinamarca, Holanda, Inglaterra, México, Suécia,
Camarões e RD Congo.
Kannemman não é estrangeiro?
Há atletas que não
entram na contagem. São jogadores com dupla cidadania, que nasceram no Brasil e
defendem outras seleções ou aqueles com vínculos parentais com o país. São oito
casos: Jorginho (Flamengo), Maurício (Palmeiras), Matheus Reis (Fluminense),
Coronel e Rafael Tolói (São Paulo), Kannemmann (Grêmio), Elliasson (Suécia) e
João Costa (Cruzeiro).
Jogadores
contratados para o Sub-20 também não foram incluídos na lista do ge. Casos de
Azambuja, do Athletico; Koné, do Palmeiras, Nicolás Talero e Alejandro Almaraz,
do Vitória, e Sayago, do Flamengo.
Por que reduzir estrangeiros?
O objetivo da
mudança gradual é evitar um impacto negativo nos clubes, considerando contratos
já assinados. Bahia, Flamengo e Londrina votaram contra a mudança. O objetivo é
dar mais oportunidades a atletas formados na base, que tiveram participação
reduzida nos últimos anos.
Também foi aprovada
uma mudança nas inscrições de jogadores para fomentar a formação dos jovens. A
partir do ano que vem, os elencos poderão inscrever 50 atletas no Brasileirão,
sendo que pelo menos 20 deles precisam ter até 23 anos. A ideia é que essa
mudança também seja gradual e que, em 2030, a proporção seja de 25 jogadores de
idade livre e 25 com menos de 23 anos.
Um dos fatores
observados foi a média de idade dos jogadores do Brasileirão, de 28,5 anos,
acima de outras ligas de destaque como Espanha (27), França (26) e Itália
(26,1). Na visão da CBF, essa diferença leva a uma queda de desempenho dos
atletas no país.
Como a regra de estrangeiros mudou?
A regra de limite
de estrangeiros mudou no futebol brasileiro ao longo do tempo. Em 2013, eram
permitidos três estrangeiros relacionados. O número aumentou para cinco em
2014, número que se manteve até 2022. O número saltou para sete em 2023 e
chegou a nove em 2024, situação atual.
Nesse período,
cresceu também a presença efetiva de estrangeiros nas partidas. Na Série A, 95
estrangeiros entraram em campo em 2022; em 2025, foram 162 e, em 2026, 146 já
haviam sido utilizados até o momento do levantamento, com outros 13 inscritos e
ainda em condições de estrear.
Uma das
constatações feitas pela CBF é a de que as oportunidades para os jovens
jogadores brasileiros está diminuindo e que essa redução pode "secar"
a formação de atletas no país. A entidade considera que essa redução é causada,
principalmente, pela chegada de estrangeiros mais experientes, que são
utilizados em detrimento de jovens que ainda necessitam amadurecer.
Um levantamento feito pela CBF mostra que o movimento se intensificou a partir de 2023, quando o limite de estrangeiros foi aumentado para sete. A partir daí, o tempo em campo de jogadores de fora do país ultrapassou o dos jovens, que tiveram uma redução drástica.

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