Apagão no fim faz vaga que parecia fácil para o Palmeiras se tornar quase inacreditável
Verdão fazia jogo controlado na
altitude de Quito e parecia vacinado depois dos erros de 2025, mas perde o
controle no fim e avança nos pênaltis para manter vivo sonho do tetra
Por
Thiago Ferri — Quito, Equador
Eram 44 minutos do segundo
tempo. A torcida da LDU tinha entregado os pontos, e o Palmeiras contava
os minutos para sacramentar uma segura vitória na altitude e a consequente vaga
na semifinal da Conmebol Libertadores.
Mas dois vacilos
desencadearam cinco minutos finais de desespero e a classificação que beirou o
inacreditável em Quito, com derrota por 3 a 2
no tempo normal e vitória por 4 a 3 nos pênaltis.
Vitor Castanheira, auxiliar
de Abel Ferreira, resumiu: não era necessário
sofrer tanto. Ainda mais quando se analisa o desempenho do Palmeiras,
que mudou o esquema. Saiu Vitor Roque para a entrada de Lucas Evangelista. Time
com três zagueiros e três volantes.
O Palmeiras tinha
como meta bloquear cruzamentos e chutes de longa distância, uma arma que a
equipe equatoriana usa com frequência com a altitude a seu favor. O plano
funcionou durante praticamente o jogo todo.
Depois de abrir o placar
cedo, o Verdão logo tomou o empate, mas em nenhum momento tomou abafa, como na
derrota de 2025. A equipe marcava mais baixo, buscava ligações diretas com
Flaco López e bloqueava as rotas de ataque dos donos da casa.
Ano passado, o Palmeiras foi
para o intervalo perdendo por 3 a 0. Desta vez, empatava e, mesmo tendo apenas
37% de posse de bola, criou sete chances contra oito dos donos da casa.
Na volta do intervalo, o
jogo estava até melhor para o Verdão, já que a LDU mostrava nervosismo e
incomodava ainda menos.
Quando Flaco cansou, Vitor
Roque o substituiu para manter o fôlego ofensivo, e o Tigrinho foi decisivo ao
marcar o segundo gol, que parecia sacramentar a vaga.
Até os 44 minutos do
segundo tempo, a estratégia era perfeita. O Palmeiras,
sem ceder muitas chances, viu Estrada ganhar de Bruno Fuchs e fazer o gol do 2
a 2.
O gol incendiou o estádio,
e nos acréscimos o time alviverde deu sinais de cansaço na altitude.
Já não conseguia mais
afastar as bolas do entorno da área e passou a dar espaços para cruzamentos.
Estrada novamente ganhou do camisa 3 e virou o jogo que parecia perdido.
Quando o árbitro Wilmar
Roldán encerrou o jogo, o momento era todo dos donos da casa. A torcida criou
um ambiente que só foi parado por Carlos Miguel.
O goleiro, com altos e
baixo na temporada, pegou duas penalidades e terminou como herói.
A festa do Palmeiras no estádio Casa Blanca flertou com a alegria e o alívio. Apesar do susto, o sonho do tetra segue vivo. Mas de uma maneira praticamente inacreditável.

0 Comentários