Elenco do Vasco sentiu o peso do jogo e frustrou torcida de forma cruel no Maracanã
Jogadores não estiveram à altura da festa da
torcida e da vaga para a final em derrota melancólica
Por Bruno Murito — Rio de Janeiro
O Vasco fez o mais difícil. Venceu na Bombonera por 1
a 0 com um a menos o Boca Juniors e foi derrotado por 3 a 1 no Maracanã para
mais de 60 mil vascaínos. E a derrota teve um motivo claro desde o primeiro
minuto: os jogadores do elenco do Vasco sentiram totalmente a responsabilidade
da vantagem e do peso do confronto.
O Vasco entrou
completamente fora de si e jogou fora a vantagem com um primeiro tempo pífio.
Em 45 minutos, o Boca Juniors construiu um 2 a 0 através da falta de confiança
dos 11 titulares. O Vasco até reagiu no segundo tempo e diminuiu com as
mudanças de Pedro Emanuel. Mas o gol de Paredes, num frango de Léo Jardim, foi
um desfecho cruel para sacramentar mais uma noite melancólica para o torcedor
vascaíno, que merecia mais pela linda festa que fez no Maracanã.
É difícil
entender como o Vasco foi capaz de errar tanto no primeiro tempo. O primeiro
gol do Boca surge de um escanteio em que Sosa foi derrotado com facilidade por
Di Lollo. Logo o volante argentino, que vinha sendo um dos melhores jogadores
do time. Ele que erra, outra vez, na origem do segundo gol do Boca. Mas o pior
erro é o de Saldivia, que entrega a bola para o ataque argentino e leva o
lançamento nas costas.
Logo após o
primeiro gol sofrido pelo Vasco, um lance que é difícil de ver no futebol
profissional. Adson e Bruno Duarte se marcaram e tiraram o gol de empate um do
outro dentro da área. O Vasco, como já se sabia antes, teria dificuldades sem
Andrés Gómez e Colidio, referências ofensivas do time. Mas as atuações de David
e Adson, que eram titulares e já questionados em 2024, fizeram o ataque
vascaíno ser inofensivo ao gol do Boca. Pedro Emanuel errou na escalação
inicial e reconheceu o erro.
Tanto que
escalou Marino e Brenner na volta do intervalo. A dupla ofereceu algo mais
próximo do que Gómez e Colidio produzem, com um ponta mais imprevisível e de
drible e outro que se associa e é quase um segundo atacante. Mas o Vasco ainda
errava demais, com Paulo Henrique, que não acertou praticamente nada
ofensivamente, Thiago Mendes, sumido do jogo, e Lescano, que pouco acrescentou
nas bolas paradas. Além de Sosa, que fez seu pior jogo pelo Vasco.
O Vasco
diminuiu com um golaço de Puma Rodríguez, que não se escondeu do jogo e entrou
bem na partida. Ele e Marino entraram com a gana que o time precisava, além da
qualidade técnica para gerar algum incômodo à defesa do Boca. O time se
transformou, incendiou ainda mais o Maracanã e estava mais próximo do empate do
que de sofrer um gol, enquanto as penalidades se aproximavam.
Mas o lance do
gol de Paredes é inadmissível desde a sua origem. O Vasco entrega a bola para o
Boca, como fez nos outros dois gols sofridos. A bola sobra para Paredes, que
domina com toda a liberdade, tabela e recebe mais livre ainda. Com tanta
liberdade que olha ao seu redor, finaliza, e Léo Jardim, aceita o gol de forma
ainda mais inacreditável. Durante toda a semana, a presença de Paredes foi
debatida nesta partida. Só os jogadores do Vasco não perceberam que ele havia
entrado.
O elenco do
Vasco já frustrou a torcida no Brasileirão com as campanhas medíocres de 2023,
2024, 2025 e 2026. Frustrou a torcida com o vice da Copa do Brasil do ano
passado no Maracanã. E frustrou mais uma vez a torcida nesta terça-feira. Não
pela derrota em si, mas pela forma que perdeu e jogou fora a chance mais viável
de encerrar a seca de títulos, tão incômoda ao torcedor. O clube está em
reconstrução e precisa seguir chegando, mas não pode desperdiçar noites assim.
Agora, o Vasco
tem uma final de campeonato pela frente no Brasileirão. O jogo contra o
Corinthians é decisivo para trazer um pouco de paz ao torcedor depois de uma
frustração tão grande com a Sul-Americana. O afastamento do Z-4 é o mínimo que
o vascaíno espera para juntar os cacos e retomar a esperança para encarar mais
uma semifinal de Copa do Brasil pela frente. Para isso, os jogadores têm de
estar à altura da responsabilidade que o clube carrega de milhões de
torcedores, o que não aconteceu nesta terça.


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