Como a Seleção deve funcionar com nova escalação contra a Croácia
Após derrota contra a França, Brasil tentará aliviar pressão pré-Mundial ao medir forças com a Croácia de Modric
O treinamento da seleção brasileira neste domingo (29) deu uma luz sobre a possível estrutura do time para o amistoso contra a Croácia, na terça-feira (31). Podem ser feitas cinco substituições por Carlo Ancelotti, com novidades na defesa, meio-campo e ataque, e no posicionamento de Vinicius Júnior.
Marquinhos, com problema no quadril, não atuou na derrota para a França na última quinta (26), mas deve voltar no lugar de Bremer. Cortado por lesão na coxa, Raphinha pode ser substituído por Luiz Henrique, um dos poucos destaques do time no jogo anterior.
João Pedro pode ganhar o lugar de Gabriel Martinelli e, assim, mover Vini Jr para a ponta esquerda em vez de ficar no centro do ataque, como tem sido com o técnico italiano. No meio e na lateral direita, estão as maiores dúvidas de Carletto. A definição ainda está entre Roger Ibañez ou Danilo o lugar de Wesley, também lesionado, e entre Andrey Santos ou Danilo para ficar ao lado de Casemiro no meio-campo.
A partir dessa provável estrutura, a Trivela analisa como deve ser o funcionamento desse time com e sem bola na partida com os croatas.
Provável escalação da seleção brasileira contra a Croácia
Ederson; Ibañez, Marquinhos, Léo Pereira e Douglas Santos; Casemiro e Danilo; Luiz Henrique, Vinicius Júnior, Matheus Cunha e João Pedro./PxImages)
Brasil deve ter estrutura parecida com parte do segundo tempo contra a França.
Por menos de dez minutos no segundo tempo, na derrota contra a França, a Seleção contava com uma estrutura que deve ser a utilizada por Ancelotti contra a Croácia.
Após uma primeira parte de pouco controle, muitos ataques rápidos e posse de bola de pouco mais de 30%, o Brasil passou a ter mais o domínio territorial, com os franceses em bloco baixo e buscando contra-ataques — ainda mais após a expulsão de Dayot Upamecano, com apenas dez minutos.
A entrada de Luiz Henrique logo no intervalo foi chave para isso, ficando bem aberto pelo lado direito. Quando João Pedro substituiu Martinelli aos 16 minutos, Vini passou a exercer a função da amplitude 100% do tempo na esquerda.
Assim, Wesley e Douglas Santos ficavam bem próximos dos zagueiros para apoiar a saída de bola — o lateral-esquerdo, porém, pode atacar por dentro no espaço entre o lateral e o zagueiro adversário –, tendo Casemiro à frente e Andrey dando alguns passos para ficar mais próximo de Matheus Cunha.
A estrutura contra a Croácia parece seguir exatamente essa linha. Marquinhos e Léo Pereira, na saída de bola, terão Santos e Ibañez (ou Danilo) bem próximos, além do apoio de Casemiro e Danilo (ou Andrey) mais perto da última linha de atacantes. Luiz Henrique bem aberto de um lado, Vini do outro, João Pedro entre os zagueiros e Cunha flutuando nas costas dos volantes.
O próprio Ibañez assumiu em entrevista coletiva o que Ancelotti espera dele, ilustrando o que deve acontecer no jogo. “Vou ser aquele lateral mais conservador. Eu não vou chegar lá na frente, cruzar, dar assistência a todo jogo. Eu vou fornecer a defensiva para o ponta ter a liberdade de atacar e fazer aquilo que ele quiser dentro do jogo“, disse.
A estratégia tem o objetivo de potencializar a velocidade e capacidade de vencer duelos mano a mano dos pontas, especialistas nesse quesito, e mantém uma solidez defensiva com dois laterais que não sobem tanto.
Se a escolha for por Danilo, do Botafogo, por dentro, ganha ainda mais qualidade no passe e criatividade, algo que faltou em parte do segundo tempo, marcado por utilizar muito os lados do campo e pouco jogo por dentro.
— Costumo fazer isso no Botafogo, o “box-to-box”, e estou preparado para fazer essa função de segundo volante — disse Danilo em coletiva.
Defensivamente, porém, seleção brasileira pode ter os mesmos problemas
Sem a bola, o Brasil ainda demonstra deficiências coletivas. No momento de pressão no campo de ataque, muitas vezes o time parece descoordenado e acaba deixando algum adversário com espaço para quebrá-la, abrindo-se um campo para se atacar, como no movimento de recuo à defesa que fez Hugo Ekitiké antes de marcar o segundo gol da França.
No momento de bloco mais recuado, com o adversário com a posse próxima do grande círculo, a Seleção pode voltar a ter questões que pesaram frente aos franceses. Fechada em 4-4-2, que deve se repetir contra a Croácia, a Seleção de Ancelotti por vezes viu seu espaço entre zaga e meio-campo ser explorado com os movimentos de Michale Olise, Kylian Mbappé e Ousmane Dembélé, além de Adrien Rabiot subindo em algumas oportunidades.
Por ter Casemiro e Andrey por dentro, o lado brasileiro ficava em inferioridade numérica, o que pode ser fatal em um jogo grande.
A Croácia, conhecida por sua forma de controlar os jogos a partir da posse de bola e com jogadores de bom refino técnico, pode aproveitar isso. Na eliminação nas quartas de final na Copa de 2022, a inferioridade por dentro foi um fator decisivo, mas, atualmente, a equipe croata não conta mais com Marcelo Brozovic, à época motor no meio.
A opção de Vinicius Júnior fechando pelo lado também pode representar um problema. O atacante do Real Madrid tem tido uma queda na dedicação defensiva nas últimas temporadas e, como tem sido com Ancelotti na Seleção e com Álvaro Arbeloa no clube espanhol, costuma fechar como atacante por dentro, função que exige menos na fase mais recuada. É algo que a Croácia, com Josep Stanisic ou Marco Pasalic no corredor, pode explorar.
O jogo contra a Croácia, a partir das 21h (horário de Brasília) desta terça, é decisivo para a Copa do Mundo de 2026, pois é o último antes da lista final, que será divulgada em 18 de maio. Antes do Mundial, o Brasil ainda joga contra Panamá e Egito em amistosos após o fim da temporada europeia. A Seleção de Ancelotti está no grupo C do Mundial com Marrocos, Escócia e Haiti.

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