Brasil ativou modo copeiro, variou estratégia diante da Croácia e se mostrou competitivo para Copa
Seleção faz Livakovic trabalhar com volume no campo ofensivo, mas conquista a vitória com transições rápidas em velocidade e deixa a Data Fifa com repertório para ser forte no Mundial
Por Cahê Mota — Orlando, EUA
Esse é o diagnóstico da Seleção de Carlo Ancelotti após a última Data Fifa antes da convocação final para a Copa do Mundo. O que se viu em campo diante de França e Croácia foi um time mais preocupado em ser competitivo do que em dar espetáculo e, acima de tudo, consciente das estratégias necessárias para enfrentar equipes das primeiras prateleiras do futebol mundial.
É bom deixar claro desde já que o Brasil de Carleto em muitos momentos abdicará do DNA que o torcedor se acostumou a ver. E não é novidade, na última passagem do italiano pelo Real já foi assim. Entender que não tem o melhor time em mãos é o ponto de partida para uma Seleção que soube ser humilde diante de franceses e croatas para ditar o rumo das partidas e usar o que a geração atual tem de melhor: a transição rápida na velocidade de seus atacantes.
Se diante da França o Brasil em muitos momentos abriu mão da bola para defender em bloco baixo e apostar nos lançamentos longos às costas da defesa, contra a Croácia o time teve paciência para fazer a bola circular quando teve mais posse, mas foi quando teve campo para jogar que foi mais perigoso. O gol de Danilo na reta final do primeiro tempo fez justiça para uma Seleção que apresentou maior compactação e equilíbrio no reencontro com os algozes da última Copa.
Os espaços do jogo contra a França, principalmente na entrada da área, deram lugar a um time mais compacto e com jogo associativo marcante no campo de ataque. Danilo Santos deu mais do que dinâmica ao meio de campo. Com intensidade para atacar e defender, ajudou Matheus Cunha na ocupação de espaços e colocou o jogador do Manchester United no jogo com aproximação.
O Brasil soube ter paciência para circular a bola quando se posicionou no campo ofensivo e viu a dupla de meio-campistas organizar as melhores chances de ataque. Não por acaso, Cunha e Danilo protagonizaram jogadas de três milagres de Livakovic no primeiro tempo: um em finalização do jogador do Botafogo, outra com João Pedro cara a cara após de Cunha, que finalizou no cantinho da entrada da área em seguida para obrigar o goleiro croata a se esticar todo.
Apesar do volume ofensivo do Brasil, a Croácia não se privou de se arriscar no ataque, e foi justamente em um desses lances que saiu o primeiro gol. Após cobrança de escanteio, Léo Pereira fez o corte nos pés de Cunha, que viu um campo inteiro pela frente e ativou aquilo que esta Seleção tem de melhor: a transição rápida.
O lançamento deixou Vini frente a frente com a defesa para dar um corte seco, deixar três adversários no chão e cruzar para Danilo mais uma vez pisar na área e fazer o gol: 1 a 0 e justiça no placar.
Senhor do primeiro tempo, o time mudou a estratégia na volta do intervalo e nitidamente apostou nas bolas em velocidade nas costas de zaga. O Brasil deixou a Croácia ter posse e presença no campo ofensivo disposto a espetar em contra-ataques velozes, mas acabou correndo riscos desnecessários.
Com 67% de posse e oito finalizações, os croatas se lançaram ao ataque e chegaram ao empate após vacilo do Brasil em rara tentativa de pressão no campo de ataque. O gol de Majer após cruzamento da direita e saída do gol ruim de Bento parecia castigar um Brasil que apostou na reatividade no segundo tempo. Até que Endrick entrou em ação.

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