Copa do 4 x 4: quartas de final dividem favoritos e surpresas, e opõem blocos distintos na briga pelo título
Líderes no ranking da
Fifa, França, Argentina, Espanha e Inglaterra podem ir juntas às semis;
Marrocos, Suíça, Bélgica e Noruega formam grupo dos "intrometidos"
que sonham grande
Passados 96 jogos em quase um mês
de Copa do Mundo 2026,
restam apenas oito seleções na briga pelo título. O grupo de remanescentes nas
quartas de final chama a atenção por poder ser dividido em blocos de quatro
times sob diversas óticas, que vão desde o favoritismo até os personagens de
destaque. França e Marrocos, que definem a primeira vaga nas semifinais em jogo
que começa às 17h (horário de Brasília) de hoje, em Boston, devem dar uma boa
entrada.
Os três jogos restantes das quartas
acontecerão no fim de semana. Espanha e Bélgica jogam às 16h de amanhã, em Los
Angeles. No sábado, Noruega e Inglaterra entram em campo às 18h, em Miami,
enquanto Argentina e Suíça se encaram às 22h, em Kansas City.
No jogo de hoje, de um lado estão os
europeus bicampeões do mundo, líderes do ranking da Fifa e que contam com um
dos artilheiros do Mundial e candidato ao prêmio de melhor jogador: Kylian
Mbappé. Do outro, aparecem os africanos, liderados por Achraf Hakimi, que se
destacam por uma equipe de enorme senso coletivo, responsável pelo inédito
quarto lugar para o continente na Copa de 2022.
Os franceses estão bem acompanhados na
“Copa 4 x 4”. Uma das principais divisões desta próxima fase coloca quatro
campeões mundiais de um lado — França, Argentina, Espanha e Inglaterra —,
contra quatro que ainda sonham chegar à primeira final — Marrocos, Bélgica,
Suíça e Noruega. Curiosidade é que as seleções com ao menos uma taça são
exatamente as quatro primeiras do ranking da Fifa e, como nenhuma delas se
enfrenta, podem formar um clube exclusivo nas semifinais.
A França é seguida por Argentina
(vice-líder), Espanha (3ª) e Inglaterra (4ª). Marrocos (6ª) está no top 10,
assim como a Bélgica (8ª); Suíça (14ª) e Noruega (19ª) ficam entre as 20
melhores seleções da atualidade, nos critérios da entidade.
A simetria começa a ter peças
diferentes ao se analisar os protagonistas em campo. Os quatro artilheiros da
Copa seguem vivos, mas, enquanto três deles — Lionel Messi (8 gols), Mbappé (7)
e Harry Kane (6) — fazem parte de um dos elencos da primeira prateleira, Erling
Haaland (7) carrega a equipe norueguesa, uma das grandes surpresas do torneio.
As demais seleções também têm seus
protagonistas, mas nenhum goleador absoluto para carregar a campanha: chegaram
longe graças à coletividade. Exemplo disso, para além de Marrocos, é a Espanha,
pois Lamine Yamal se candidatava a ser uma das estrelas da Copa, mas está
limitado fisicamente, e a equipe de Luis de la Fuente vem subindo de produção à
base da defesa sólida e do tradicional jogo de passes.
Na Bélgica, Kevin De Bruyne e Romelu
Lukaku são remanescentes da geração de ouro, mas a goleada que eliminou os
Estados Unidos começou com ambos no banco de reservas, dando a impressão de uma
transição controlada pelo técnico Rudi García. Já a Suíça, que vê florescer
Johan Manzambi, passou pela Colômbia sem contar com o jovem, lesionado.
As divisões observadas entre essas
seleções prometem gerar duelos particulares nas quartas, mas não são taxativas.
As equipes com os craques também representam forças coletivas, como a
Argentina, atual campeã mundial graças ao comando de Lionel Scaloni; a França,
que surge com uma geração apontada por muitos como a melhor da História sob o
comando duradouro de Didier Deschamps; e a Inglaterra, muito criticada na
convocação por Thomas Tuchel ter aberto mão de algumas estrelas.
Há espaço para o ineditismo?
Se não são cotados como favoritos nesta
Copa, Marrocos, Bélgica, Suíça e Noruega tentam repetir um feito que aconteceu
apenas duas vezes nos últimos 30 anos: o título inédito. A França, em 1998, e a
Espanha, em 2010, foram as últimas a entrarem no hall das campeãs do mundo.
Houve, porém, quem tenha batido à porta da História.
Além dos próprios marroquinos, que
pararam na semifinal em 2022 e voltam a uma fase aguda do Mundial, a Croácia
foi vice-campeã na Copa de 2018, em uma campanha surpreendente, ano em que os
belgas terminaram em terceiro. Enquanto as três maiores campeãs do torneio —
Brasil, Alemanha e Itália — se tornaram símbolos de total fracasso na última
década, outras forças cresceram.
A formação das quartas de final explica
bem a configuração das Copas. Nas últimas três edições, também havia exatamente
quatro campeãs mundiais nesta fase, mas, em 2014 e 2022, por exemplo, estava
presente a Holanda, uma escola sem título mas que está entre as mais
tradicionais. Na Copa do Catar, Portugal, de Cristiano Ronaldo, também chegou
entre as oito melhores.
Quartas de final das últimas
Copas:
·
2014: Brasil (campeã mundial), França (campeã mundial), Alemanha (campeã
mundial), Argentina (campeã mundial), Holanda (foi vice-campeã mundial),
Bélgica (coadjuvante), Colômbia (coadjuvante), Costa Rica (surpresa)
·
2018: Brasil (campeã mundial), Uruguai (campeã mundial), França (campeã
mundial), Inglaterra (campeã mundial), Croácia (foi vice-campeã mundial),
Bélgica (coadjuvante), Rússia (surpresa), Suécia (surpresa)
· 2022: Brasil (campeã mundial), Argentina (campeã mundial), Inglaterra (campeã mundial), França (campeã mundial), Holanda (foi vice-campeã mundial), Croácia (foi vice-campeã mundial), Portugal (escola tradicional sem título), Marrocos (coadjuvante)

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