Como
França x Espanha virou um clássico cada vez mais acirrado na Europa
Equipes voltam a se enfrentar nesta terça-feira
(14), dessa vez em jogo decisivo da Copa do Mundo
As semifinais da Copa do Mundo de 2026 começam
nesta terça-feira (14) com um jogo muito aguardado entre Espanha e França, duas
das melhores seleções europeias dos últimos 20 anos.
O vencedor do duelo que acontece no
AT&T Stadium, em Dallas, garantirá uma vaga na final do torneio, no domingo
(19), no MetLife Stadium, Nova Jersey.
Três décadas atrás, quando nenhuma
dessas duas seleções possuía um título de Copa do Mundo, essa mesma partida
teria sido interessante, mas nada comparada à tensão que agora paira sobre
essas duas nações que compartilham mais de 650 quilômetros de fronteira.
As Copas que venceram lhes deram
renome, e os duelos diretos dos últimos cinco anos aumentaram essa rivalidade a
níveis insuspeitos, a ponto de até mesmo alguns políticos terem confundido as
inevitáveis "provocações" com comentários inadequados.
Jogos
decisivos
Sendo as duas principais potências do
futebol europeu na atualidade, Espanha e França frequentemente se enfrentam em
momentos decisivos de competições oficiais.
De fato, seus últimos três confrontos
diretos foram nas finais ou semifinais dos dois torneios da Uefa: a Eurocopa e
a Nations League.
Foi isso que aconteceu em
2021, quando se enfrentaram na final da Nations. Mikel Oyarzabal colocou a
Espanha em vantagem, mas Benzema empatou com um golaço.
A cerca de 10 minutos do fim, chegou o
momento decisivo, com um passe preciso de Mbappé que garantiu o 2 a 1 para a
França, um duelo que veremos novamente nesta terça.
O gol provocou indignação entre os
jogadores espanhóis, que acreditavam que o atacante estava em posição de
impedimento. O árbitro ignorou a reclamação, considerando um toque anterior de
um zagueiro espanhol como intencional. O placar permaneceu inalterado e a
Espanha deixou o campo com um sentimento de derrota.
A vingança veio relativamente rápido,
nas semifinais do Euro de 2024. A história se inverteu completamente.
Os Bleus abriram o placar com um
cabeceio de Kolo Muani, mas em quatro minutos de pura fúria futebolística,
Lamine Yamal, então com 16 anos, marcou um gol que entrou direto para os livros
de história (jogador mais jovem a marcar em Eurocopas), e Dani Olmo ampliou o
placar. A Espanha acabou conquistando o título.
Clássico de nove gols
A última vez que se enfrentaram foi há
pouco mais de um ano, em 5 de junho de 2025, quando se reencontraram nas
semifinais, desta vez da Nations.
Naquela ocasião, protagonizaram um jogo
memorável. A La Roja deu um show de finalização precisa, abrindo 4 a 0 com gols
de Nico Williams, Merino, Yamal e Pedri.
O placar parecia definido, ainda mais
quando o gol de Mbappé foi seguido por outro de Yamal. O placar de 5 a 1 se
manteve até os 80 minutos, quando Cherki, um gol contra de Vivian e Kolo Muani
marcaram, fechando o placar em um emocionante 5 a 4.
Declarações
polêmicas
A tensão esportiva ganhou contornos
políticos com os comentários feitos na última sexta-feira (10) pelo
ex-primeiro-ministro espanhol Mariano Rajoy em uma coluna no
jornal conservador "El Debate".
Nela, ele afirmou que "a seleção
francesa tem um nível de jogo muito alto, mas sem nenhum jogador francês",
segundo informou a agência de notícias EFE.
O comentário gerou uma reação tão
negativa na França e em partes da própria Espanha que o porta-voz do Partido
Popular (ao qual Rajoy pertencia), Borja Sémper, teve que vir a público tentar
acalmar os ânimos, dizendo que se tratava de um texto "sarcástico" e
"sem más intenções". No entanto, o estrago já estava feito.
França x Espanha
Na
segunda-feira (13), socialistas espanhóis e franceses no Parlamento Europeu
condenaram as declarações de Rajoy, rejeitando a ideia de que fossem "uma
piada ou uma provocação inocente" e classificando-as como
"indignas" de um ex-chefe de Estado.
"As nossas nações são, antes de mais nada, comunidades de cidadãos e de
destino comum, fundadas na igualdade de direitos, num sentimento de pertença
comum e na vontade de construir juntos um futuro comum. Os jogadores da seleção
francesa são franceses. Representam o seu país e são motivo de orgulho para
ele, tal como os jogadores da seleção espanhola representam Espanha em toda a
sua diversidade”, afirmaram os deputados.
Naturalmente, a questão chegou aos
ouvidos dos jogadores da seleção francesa.
Resposta
da França
O meio-campista Zaire-Emery disse em
uma coletiva de imprensa que "a França tem pessoas de todos os gêneros e
raças, e é isso que faz a nossa França".
O presidente da Federação Francesa de
Futebol (FFF), Philippe Diallo, foi além, afirmando que "as palavras de
Mariano Rajoy, invocando a seleção francesa, contêm um insuportável cheiro de
racismo".
“Nossos jogadores não têm motivo algum para receber qualquer certificado de
nacionalidade de um ex-presidente espanhol. A seleção francesa é a seleção
francesa”, afirmou Diallo.
Até mesmo jogadores espanhóis como
Borja Iglesias e Lamine Yamal criticaram o ex-presidente. E eles têm bons
motivos para isso, já que 23 dos 26 jogadores que Didier Deschamps levou para a
Copa do Mundo nasceram na França.
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