Eliminação precoce do Boca Juniors na Libertadores expõe problemas do clube
Má fase do Boca, que se despede na segunda fase da Libertadores, vai desde desempenho ruim no Campeonato Argentino até rivalidades políticas internas
Por Rafael Bizarelo — Rio de Janeiro
A bola na trave de Milton Giménez e a furada de Cavani nos últimos minutos já indicava uma tragédia para o Boca Juniors. Mesmo com os lances perdidos, o torcedor xeneize confiou no peso da camisa e na força de La Bombonera, mas o roteiro já estava escrito. Brey, que entrou para defender os pênaltis, viu o Alianza Lima converter todas as cobranças. Velasco, a contratação mais cara do Boca na janela, perdeu o seu e viu o time argentino se despedir da Libertadores ainda na segunda fase. O ge conta a trajetória do Boca Juniors até a eliminação precoce.
Cair na segunda fase da Libertadores não é bom para nenhum clube, ainda mais para um gigante como o Boca Juniors. Chegar na competição não foi fácil. Longe da disputa do título argentino em 2024, o clube foi o sexto colocado, o último a garantir vaga no torneio, e pouco aproveitou. Os dois jogos com o Alianza Lima foram os únicos do Boca na Libertadores de 2025.
Será o segundo ano seguido do Boca Juniors longe até da fase de grupos da Libertadores. O time não disputou a competição em 2024, quando ficou apenas na Copa Sul-Americana. Assim como em 2025, o Boca caiu nos pênaltis, mas nas oitavas de final, contra o Cruzeiro.
O vice da Libertadores para o Fluminense em 2023 foi a última campanha de destaque do Boca Juniors em qualquer competição. Além da eliminação na Sul-Americana e de resultados ruins no Campeonato Argentino, eles também caíram nas semifinais da Copa Argentina e na Copa da Liga no ano passado.
Os dois jogos do Boca Juniors contra o Alianza Lima mostraram um time que pouco aprendeu com os resultados ruins de 2024. Cavani, já aclamado pelo ídolo e presidente Juan Román Riquelme, segue como o principal jogador da equipe, mas falha nos momentos em que o time mais precisa dele. Nesta terça-feira, o uruguaio protagonizou o grande lance do jogo, mas não de forma positiva.
Aos 52 minutos do segundo tempo, quando o Boca vencia por 2 a 1 (o Alianza venceu na ida por 1 a 0), Cavani teve a chance de estufar as redes e fazer La Bombonera tremer. Sem goleiro, o atacante furou e viu o jogo ir para os pênaltis. É verdade que ele marcou na disputa final, mas já era tarde demais.
Mas Cavani, de 38 anos, não é o único jogador experiente do Boca. Além dele, o clube contra com Marchesín (36 anos), Advíncula (34 anos), Battaglia (33 anos), Rojo (34 anos) e Ander Herrera (35 anos), todos titulares na partida de hoje. Mesmo com tantos atletas com "cancha" em campo, faltou ao Boca Juniors mostrar que era o Boca Juniors.
Riquelme fez o Boca Juniors ser o Boca Juniors quando era jogador. A gestão como presidente ainda não viu grandes feitos do clube. Eleito em dezembro de 2023 com 68% dos votos, ele superou Andrés Ibarra, que tinha o ex-presidente Mauricio Macri como vice.
As disputas entre Riquelme e Macri não acabaram com a eleição. O ex-jogador foi apoiado por Chiqui Tapia, presidente da Associação do Futebol Argentino (AFA), enquanto a oposição levanta a bandeira das SADs (similares às SAFs no Brasil), não apoiadas por Riquelme e Tapia. Mais de um ano após o pleito, torcedores se dividem entre apoiadores e opositores do ex-jogador.
O desempenho recente do Boca Juniors não ajuda o caso de Riquelme, que sofre pressão dos torcedores. Investimentos foram feitos para 2025, mas o destino foi cruel com o time. Alan Velasco, comprado por 9,6 milhões de euros (cerca de R$ 58 milhões), foi a contratação mais cara do Boca na janela. Ele perdeu o pênalti que eliminou o Boca na Libertadores.

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