Vexame do Sport na Copa do Brasil tem assinatura de Pepa
Eliminado pelo Operário-MT na primeira fase do torneio nacional, Leão repete falta de criatividade, de variações táticas e de espírito de decisão em jogos importantes na temporada
Por Daniel Leal — Recife
A eliminação nos pênaltis na primeira fase da Copa do Brasil para o modesto Operário-MT foi consequência de um Sport que, como bem dito pelo comentarista Cabral Neto, da TV Globo, "parece ser uma equipe que não se incomoda em jogar mal". Displicência que precisa, sobretudo, ser colocada na conta do treinador.
Afinal de contas, quando novamente o Sport foi colocado em ambiente que pedia um mínimo de espírito decisivo, o time falhou. E voltou a apresentar um futebol pobre em Cuiabá.
Apesar da maior posse de bola (62%), o Leão foi uma equipe que abusou dos cruzamentos, lançamentos e, sobretudo, dos passes errados: foram 80 (!) falhas de passe no jogo contra uma equipe que sequer disputará a Quarta Divisão nacional.
"O Sport fica insistindo nesses cruzamentos de fora da área, não consegue impor velocidade, o exagera às vezes no lançamento, na saída de bola, e isso torna o jogo mais pobre", observa Cabral Neto.
- Isso traz o jogo para um nível mais baixo e o Sport precisava fazer contra o Operário com que esse nível de jogo fosse mais elevado, porque ele tem um elenco para jogar de forma mais elevada e isso, sim, traria algum problema de marcação para o time adversário - complementa.
Assim como aconteceu nos reveses para Santa Cruz e Náutico, nos clássicos pelo Campeonato Pernambucano, o Sport aceitou fazer o tipo de jogo proposto pelo adversário. Lento, por vezes desinteressado e omisso, o Leão tem repetido com Pepa uma receita que tem dado errado até aqui.
- Na hora em que o Sport consegue colocar minimamente a bola no chão, trocar passes, ter movimentação, ter mobilidade, o esporte quase sempre consegue envolver os adversários que enfrenta e cria uma boa oportunidade. O problema é que o Sport faz isso raramente - diz Cabral.
- Pepa também precisa tentar novas soluções. E não apenas tira um ponta e coloca outro, tira um centroavante e coloca outro... - reforça o comentarista.
"O problema do Sport não são peças. O problema do Sport não é de qualidade técnica, tirar um jogador que vem rendendo mal para colocar um jogador que no banco vai resolver. O problema do Sport é de atitude, é de movimentação, é estratégico, é tático... Mas não é simplesmente trocar um jogador por outro", aponta Cabral Neto.
Assim como aconteceu quando o Sport perdeu para o Santa Cruz, Pepa voltou a dizer que o time perdeu por "incompetência". O problema é que, apesar dos reforços, apesar do ritmo de jogo, a equipe não consegue alcançar a virtude de ser o que precisa ser nos jogos mais decisivos da temporada.
Com Pepa, o Sport fez 11 jogos neste ano. Venceu sete adversários de menor expressão e falhou nas quatro partidas mais importantes: Santa Cruz e Náutico, conforme dito, pelo Estadual; Fortaleza, pelo Nordestão; e agora a eliminação nos pênaltis para o Operário-MT, pela Copa do Brasil.
- Pepa precisa tentar explorar novas possibilidades. O elenco oferece possibilidade para que ele faça o rodízio o que ele está fazendo, mas também oferece possibilidades táticas diferentes. Isso ele não vem ousando, isso ele não vem fazendo. Eu acho que esse é um problema - pontua Cabral Neto.
A desclassificação, desta vez, faz com que o time deixasse de receber R$ 1,87 milhão - sem contar o que poderia arrecadar ainda mais adiante.
Um prejuízo incalculável cuja responsabilidade precisa ser compartilhada entre os atletas, direção, todos. Mas que tem, sim, a assinatura principal do treinador.

0 Comentários